XIRÊ DOS ORIXÁS
CARLOS BUBY
A Umbanda é uma canção milenar que fala de Amor. Um Amor cristão cheio de ternura e repleto de compaixão, como aquela expressa na filosofia Budista Tibetana. Um amor incondicional como aquele que contemplamos na maternidade universal. E como toda canção, pode ser executada por diferentes instrumentos, interpretada de diferentes maneiras, arranjada por diferentes maestros sem, contudo, deixar de ser a mesma canção.
Seria bom se todos os Umbandistas, e particularmente os escritores que dissertam sobre a cultura afro brasileira, concentrassem seus esforços em nos apresentar o seu trabalho sem, contudo, tentar desmerecer outras linhas de pensamentos. Assim, caberia a nós avaliar. É lamentável quando buscamos a Luz e encontramos alguém tentando nos impor a sua verdade. Recentemente, uma publicação muito interessante pelo conteúdo nos chamou a atenção. Tratava-se de um ensaio sobre alguns relevantes temas da nossa Umbanda. Entretanto, não tardou para que percebêssemos a discriminação contra os Templos que fazem o uso de atabaques. Essas infelizes colocações não invalidam a contribuição intelectual proposta pelos seus autores. Porém, as diferenças ritualísticas mal interpretadas causam conflitos desnecessários e a conseqüente fragmentação da unidade Maior. A história nos demonstra o quanto, ao longo dos séculos, a intolerância religiosa tem promovido guerras e destruído vidas pródigas.
São tantas as controvérsias sobre a origem da Umbanda que preferimos nos ater a seus ensinamentos naturais. Não obstante, a partir do momento que um Templo emprega, em sua dialética, termos como Ogum, Yemanjá, Xangô, etc., não pode negar a presença da cultura africana em sua estrutura. Apesar da terminologia não representar a totalidade de uma tradição, utilizá-la como representação, negando-a como raiz é, no mínimo, incoerente.
Os Orixás, segundo o Templo Guaracy, são forças e energias manifestadas na Natureza que, ao interagirem entre si, criam a "Dinâmica de Odudua", ou seja, a Vida energética, sua multiplicidade e mutações em nosso planeta. Por efeito da antropomorfia, fenômeno que dá atributos humanos às coisas, adquiriram formas e comportamentos semelhantes às humanas. Em função disso, não são raras as lendas que se referem aos Orixás dando-lhes conotações morais, emocionais, psicológicas e mitológicas. A personificação dos Orixás, desde que não confundida com a personalidade de seus médiuns, pode contribuir para ilustrar teorias que abordam os diferentes planos energéticos e suas freqüências vibratórias.
Xirê é um termo utilizado para denominar a seqüência na qual os Orixás são reverenciados ou invocados durante os cultos a eles destinados. É comum empregar a palavra Xirê como sinônimo de Gira. É também chamado de Roda dos Orixás. Para que possamos compreender mais facilmente o Xirê dos Orixás proposto pelo Templo Guaracy, partiremos do princípio que tudo se constitui a partir da combinação dos quatro elementos básicos e suas dezesseis qualidades. Quando representados na forma de um quadrante, os quatro elementos básicos ocupam posições específicas em relação ao quadrante geométrico: