UMBANDA GRATUITA
CARLOS BUBY
"A vida cria o
problema, o mundo
cria a forma e nós
lhe damos o tamanho"
Carlos Buby
A gratuidade dos atendimentos espirituais realizados pelo Templo Guaracy ou em seu nome é uma exigência do próprio Caboclo Guaracy. Com o decorrer dos anos, essa determinação se transformou em fundamento ético. O vínculo associativo é opcional e não implica nos procedimentos assistenciais. Por isso, toda pessoa poderá acessar os atendimentos espirituais propostos nas reuniões públicas (Giras) ou em caráter privado gratuitamente. A nenhum médium e/ou entidade é reservado o direito de cobrar dos atendidos, direta ou indiretamente, qualquer importância, valor ou benefício referente a atendimentos espirituais.
Segundo o Caboclo Guaracy, a espiritualidade é uma dimensão que transcende ao mundo dos "pesos e medidas". Portanto, taxar um ato espiritual, avaliando-o a partir de critérios materialistas significa mensurar o Amor dando-lhes a dimensão do interesse. A qualidade da relação estabelecida entre o atendente e o atendido é fundamental para a obtenção de um plano espiritual ideal. Sem esse plano, é impossível estabelecer a conexão com Entidades de Luz. No momento em que a Solidariedade, entre ambas as partes, passa a reger o atendimento, as restrições condicionais desaparecem, dando lugar à força moral. Consideramos essa Força moral como sendo um estado de Consciência, e não apenas uma manifestação Egocêntrica.
A gratuidade não é uma prerrogativa exclusiva do Templo Guaracy. A grande maioria dos Templos Umbandistas trabalham sem visar outros interesses além dos benefícios espirituais que podem proporcionar. São instituições comprometidas com os fundamentos da reciprocidade. Seus fundamentos são transparentes e seus métodos são rigorosamente afinados com uma filosofia bem definida. Dentre tantos Templos que certamente são dignos do nosso respeito, podemos citar Templo do Pai Acarai (Iyálorixá Antônia), Templo do Pai Taquiri (Iyálorixá Vera), Templo do Pai Tamoio (Iyálorixá Juliana), Templo do Pai Ogum Beira Mar (Babalorixá Alexandre) e tantos outros que se constituíram inspirados no amor ao próximo.
Cabe ressaltar que algumas tradições, originariamente fundamentadas nos preceitos regidos pela Lei de Salva, sentem-se no direito de estipular um "valor simbólico" para a realização de alguns tipos de rituais. Entre eles, podemos citar o Jogo de Búzios, as Consagrações do chão, etc. Apesar de raros, existem Templos Umbandistas que seguem tais preceitos e, por esse motivo, a gratuidade não pode ser generalizada. Em virtude da indefinição sobre o que é "valor simbólico", o tema torna-se polêmico enquanto o Fundamento cria margens para exageros.